A transformação digital pela qual o mundo está passando já influencia diretamente não só o setor privado, mas também o serviço público. Com o uso da tecnologia já amplamente estabelecido na sociedade, as práticas ligadas aos órgãos de gestão pública tendem a se modificar, seguindo essa tendência.

E não se trata apenas de implementar certas ferramentas no dia a dia. A própria forma de funcionamento do setor tende a passar por uma revolução na qual a sociedade como um todo participa mais ativamente do processo.

Pensando nisso, mostraremos aqui 6 tecnologias que farão parte dessa nova dinâmica do serviço público. Confira!

1. Blockchain e Smart Contracts

O conceito de Blockchain está ligado ao objetivo de reduzir a burocracia envolvida em determinados processos. As plataformas já utilizadas visam digitalizar certos procedimentos, não só reduzindo a quantidade de papel gasto, como otimizando a cadeia de aprovações e fechamento de contratos.

Com a tecnologia de chave de segurança, um sistema desse tipo é capaz de integrar os processos em um único lugar, dando aos envolvidos o devido acesso aos contratos ou fluxos de aprovação, de acordo com o que é de responsabilidade de cada um.

Aliado ao conceito de Smart Contracts, que busca agilizar a prática de submissão e aprovação de contratos, o Blockchain tende a ser a base para a maior parte da gestão de convênio do serviço público em todo o mundo.

2. Atendimento Omnichannel ao cidadão

Uma questão bastante emergente no que diz respeito aos órgãos do governo é a melhoria do atendimento ao cidadão. A tecnologia, é claro, tem muito a oferecer e já podemos vislumbrar alguns sistemas que tendem a revolucionar essa comunicação em um futuro próximo.

O conceito de Omnichannel, originalmente no ambiente de varejo, diz respeito à unificação de todos os canais de comunicação de uma empresa, visando garantir uma boa experiência para o consumidor em qualquer plataforma. Por exemplo, ele pode optar por realizar uma compra pelo smartphone, pelo computador ou mesmo na loja física. E em qualquer um dos casos, ele terá um atendimento de qualidade e agilidade para conseguir o que deseja, graças ao atendimento integrado.

O conceito vem sendo implementado aos canais de atendimento ao cidadão em diversos países. O termo e-Government foi cunhado visando essa integração tecnológica que busca posicionar o governo no ambiente digital, de forma que ele esteja acessível para a população.

Seja para tirar dúvidas, dar sugestões, participar dos processos de planejamento e diversas outras ações, podemos ter aqui um passo importante para alcançarmos a devida qualidade na execução. Trata-se de um grande desafio, mas que já vem dando resultados por meio da implementação de canais do serviço público nas redes sociais, em páginas próprias na internet etc.

Desafogar o atendimento presencial é necessário, e, na maioria das vezes, as dúvidas podem ser tiradas pela internet.

3. e-ID

Não é de hoje que ouvimos falar de um futuro sistema de identificação digital que substituiria os documentos tradicionais do cidadão. Entretanto, essa possibilidade nunca esteve tão próxima de se tornar realidade quanto agora na era da digitalização das informações.

Em 2016, a Itália aderiu ao sistema de e-ID, ou “identificação eletrônica”, seguindo os passos de outros países da Europa. Os benefícios, na verdade, são muito maiores do que os imaginados há 20 anos, quando essa discussão já era bastante quente.

A implementação de e-ID não só minimiza os casos vexatórios de problemas na identificação devido ao desgaste dos documentos de papel como otimiza certos processos de registro eletrônico.

Já parou pra pensar quantas vezes você precisa logar no sistema de diferentes lojas para comparar preços e fechar uma compra?

O mesmo se aplica para sistemas do serviço público. A identificação eletrônica pode ser um grande passo na unificação dos registros digitais, algo que não só facilita a vida do cidadão, mas que também auxilia no combate a fraudes e furto de senhas.

4. IoT e Smart Cities

Os conceitos de Internet of Things (IoT) e Smart Cities – ou Internet das Coisas e Cidades Inteligentes – se conectam de maneira clara, mas, ainda, desafiadora para o serviço público.

O primeiro visa conectar à web diversos dispositivos do nosso dia a dia — desde eletrodomésticos (geladeiras, fogões etc.) até nossos gadgets (smartphones, tablets etc.). Já o Smart Cities visa uma sociedade cujo funcionamento é otimizado por meio da tecnologia.

Dispositivos de monitoramento automatizados, por exemplo, podem atuar na iluminação e segurança urbana. Em hospitais, os dispositivos inteligentes permitem que a condição dos pacientes seja acompanhada com mais eficiência, levantando dados relevantes e gerando relatórios.

Diversos setores podem se beneficiar dessas tecnologias. E no que diz respeito ao serviço público – como o mais imediato agente de planejamento urbano e de implementação de benefícios utilizados pela sociedade – tende a ser um dos principais defensores e utilizadores dessas novidades.

5. Open Data

Para muitos, um conceito ainda nebuloso. Entretanto, o Open Data tem potencial para revolucionar a forma como contribuímos com a sociedade na qual vivemos. Grosso modo, dados abertos são aqueles disponibilizados para as pessoas interessadas, podendo ser usados, avaliados, compartilhados etc.

No serviço público, essa questão é extremamente importante. Afinal, as informações ligadas ao governo não devem, por lei, ser disponibilizadas à população para acesso?

A melhoria na eficiência dos serviços é um bom exemplo de como podemos nos beneficiar do Open Data. E com o surgimento do Big Data, os impactos de políticas implementadas podem ser medidos e acompanhados por todos os interessados com conhecimento técnico suficiente.

Estamos falando de um nível de colaboração popular bem mais alto do que em qualquer outro momento de nossa história. O projeto “Where does my money go?“, por exemplo, mostra como o dinheiro dos impostos é investido. Iniciativas similares já surgem no Brasil e prometem facilitar a participação dos cidadãos nos processos de gestão.

Já existe uma página na qual estão listados alguns aplicativos e serviços brasileiros desenvolvidos com base no Open Data.

6. Mobilidade governamental

Por fim, vale destacar a tendência de implementação de plataformas mobile para o acesso aos serviços do governo. A ideia é que os aplicativos sejam desenvolvidos utilizando o usuário (no caso, os cidadãos) como referência.

De que se trata determinado projeto de lei em andamento? Qual o acervo da biblioteca pública de minha cidade? Qual o itinerário e a localização dos ônibus neste momento?

Essas perguntas surgem a todo momento e, com o smartphone na mão, não há motivos para que elas sejam de difícil acesso. Por isso, é fundamental integrar tecnologia móvel aos órgãos de gestão para que haja mais transparência e eficácia no atendimento à população.

É importante ter em mente que todo esse processo é longo e contínuo. A transformação não ocorrerá da noite para o dia. Ainda assim, o serviço público tem muito a oferecer e, colocando a tecnologia em uso, esse cenário será rapidamente modificado.

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