A administração pública tem como principal meta prestar serviços que contemplem todos os segmentos sociais com qualidade, eficiência e agilidade. Entretanto, de que maneira é possível tornar essa missão menos complexa? Uma boa resposta é apostar no intraempreendedorismo.

Para tanto, o ideal é proporcionar aos colaboradores mais condições de desenvolverem projetos que vão contribuir para um órgão público estar mais habilitado para cumprir o seu papel. Hoje, os gestores e os funcionários públicos devem trabalhar para reduzir custos, elevar a produtividade e melhorar o nível dos serviços.

Por isso, vamos abordar, neste post, características marcantes do intraempreendedorismo, os desafios de implantá-lo na administração pública e bons exemplos dessa prática no Brasil e no exterior. Confira!

O que é intraempreendedorismo?

É possível definir o intraempreendedorismo como a capacidade de um gestor ou funcionário inovar e proporcionar benefícios para uma organização. Essa ação somente é viável quando os colaboradores estão qualificados e motivados para enxergarem oportunidades de promoverem mudanças que vão impactar positivamente nos serviços.

Além disso, é imprescindível ter recursos humanos, materiais e financeiros para colocar em prática as atividades que vão modificar os procedimentos de trabalho e o atendimento prestado à população. No setor público, essa modalidade de empreendedorismo ainda é caracterizada pela vontade de o servidor interagir com diversos segmentos do público-alvo. A medida possibilita entender melhor as demandas sociais e encontrar soluções para resolvê-las.

Para que o intraempreendedorismo faça parte da rotina de uma instituição pública ou privada, a recomendação é adotar uma série de ações, como:

  • fazer uma pesquisa de clima organizacional para verificar o engajamento dos colaboradores e receber sugestões de como as atividades profissionais podem ser mais dinâmicas e eficientes;
  • utilizar os dados da pesquisa para interagir melhor com a equipe e promover mudanças voltadas para o aperfeiçoamento dos serviços;
  • estabelecer um canal aberto para ideias, no qual os funcionários possam interagir melhor com os gestores. A medida vai ajudá-los a se sentirem mais valorizados;
  • desenvolver uma boa comunicação com os servidores, mostrando as sugestões que foram aprovadas, o desenvolvimento delas e os resultados proporcionados para a organização;
  • fazer com que toda a equipe tenha foco na atualização constante e na melhoria contínua, adotando ferramentas que avaliam a qualidade dos processos, como o ciclo PDCA, cujas iniciais significam em português, respectivamente, planejar, fazer, verificar e agir;
  • incentivar a capacidade de todos os funcionários fazerem uma autoavaliação, cujo objetivo é perceber os pontos positivos e aspectos que podem ser aperfeiçoados;
  • proporcionar uma maior interatividade com outras organizações que apresentaram bons resultados investindo na inovação;
  • trabalhar com metas que sejam inspiradoras e viáveis de serem concretizadas. Assim, a equipe fica mais motivada para alcançar novos objetivos;
  • desenvolver nos gestores a capacidade de delegar atividades e de valorizar o talento dos colaboradores.

A mudança de cultura exige bastante paciência e força de vontade em qualquer organização. Isso porque aperfeiçoar a comunicação, instituir uma gestão focada em resultados, criar um ambiente favorável à inovação e priorizar a melhoria contínua são ações que devem ser bem assimiladas pelos servidores públicos. Porém, a melhoria dos resultados e a nova conduta dos funcionários são fatores que justificam o esforço.

Quais são os desafios da proatividade no setor público?

A administração pública precisa estar atenta aos anseios da sociedade por serviços mais eficientes, ágeis e de qualidade. Nesse cenário, é imprescindível enfrentar alguns desafios que dificultam o desenvolvimento do intraempreendedorismo e a capacidade de os funcionários estarem mais engajados na busca por soluções para as demandas dos cidadãos.

Pensando nisso, vamos abordar algumas dificuldades do setor público em adotar essa modalidade de empreendedorismo e como superá-las. Acompanhe!

Hierarquias verticais

É bastante comum que haja uma supervalorização da hierarquia de cargos e funções no setor público. Isso se reflete, por exemplo, nos processos de comunicação, que não são horizontais, uma vez que os servidores não têm acesso direto aos diretores. Nesse caso, eles precisam, inicialmente, terem um contato com o gerente da unidade para que uma ideia seja levada para a diretoria.

Essa estrutura de trabalho pode ser ruim para a organização, porque o gestor, por motivos pessoais ou técnicos, pode não analisar devidamente uma sugestão apresentada, fazendo com que uma atividade interessante não seja desenvolvida na instituição.

Com certeza, a hierarquia contribui para que as ações sejam feitas com um maior controle para minimizar os erros. Por outro lado, é possível adotar mecanismos de comunicação (canal de ideias, café com os gestores etc.) para que o fluxo das informações seja mais direto entre os funcionários e os principais líderes da organização.

Centralização das decisões

A administração pública tem uma grande responsabilidade em gerir os recursos financeiros, materiais e humanos para alcançar uma performance de alto nível. Com o objetivo de escolher as melhores alternativas para beneficiar os cidadãos, adota um modelo de gestão que centraliza a tomada de decisão.

É importante que os gestores públicos tenham ciência do que está sendo realizado pelo órgão para indicar caminhos para um desempenho melhor. Apesar disso, é possível pensar em um modelo que propicie aos funcionários uma maior autonomia para alcançar alta performance.

Essa medida pode ser feita com a elaboração de um planejamento de atividades que delimita o nível de decisão de um funcionário em relação a um projeto. Assim, as ações podem ser efetivadas de maneira mais rápida e eficaz, atingindo resultados mais expressivos.

Rotinas muito rígidas

O setor público se caracteriza pela rigidez em algumas atividades, como o processo de compra de insumos necessários para a realização dos serviços. A iniciativa busca uniformizar os procedimentos e evitar que os recursos financeiros e materiais sejam utilizados de forma indevida.

Mas será que é possível pensar em maneiras de tornar os processos mais ágeis e menos burocráticos? Felizmente, a resposta é sim! Para isso, é necessária uma mudança de mentalidade no serviço público que valoriza práticas destinadas a reduzir etapas de trabalho e tornar os processos mais flexíveis a alterações voltadas para a celeridade.

Esse caminho pode ser feito com espaços direcionados para os servidores terem condições de visualizar a teoria na prática. No Brasil, um bom exemplo disso é o GovLab, que oferece workshops e cursos em que os funcionários públicos recebem subsídios para adotarem ações direcionadas para a inovação e o aperfeiçoamento dos procedimentos de trabalho.

Nos Estados Unidos, o governo estimulou a criação de startups internas para reduzir os gastos e executar os serviços de maneira mais ágil. Isso foi possível como o desenvolvimento do programa de incentivo Presidential Innovation Fellows (Parceiros de Inovação Presidencial).

A administração pública necessita de funcionários que tenham capacidade de tomar iniciativas e condições de implantar novas atividades, priorizando o cidadão e a melhoria dos serviços. Por isso, o foco em empreender no ambiente de trabalho é um fator primordial para aperfeiçoar os processos.

Se você considera importante difundir o intraempreendedorismo no setor público, compartilhe este post agora mesmo nas suas redes sociais. Com certeza, o conhecimento deve estar ao alcance de todos!