A implementação da tecnologia para otimização dos processos é uma tendência natural em qualquer setor. O motivo é simples: a transformação digital vem revolucionando as atividades do nosso dia a dia, seja no âmbito pessoal ou profissional. No setor público não é diferente — os órgãos de gestão já compreenderam que essa é uma mudança para melhor.

Entretanto, há uma série de desafios para o governo que busca adotar a tecnologia. Afinal, qual é a forma de superar essas questões e entrar na transformação digital com tranquilidade?

Para responder a essa pergunta, abordaremos aqui a relação entre tecnologia e governo, os 5 principais desafios desse processo e dicas importantes de como superá-los. Confira!

A relação entre tecnologia e governo

Um conceito extremamente importante ligado aos avanços tecnológicos é o uso inteligente da informação. Não basta substituir equipamentos e técnicas por versões mais sofisticadas — a tecnologia assume o papel de gerar valor para o setor privado e de modificar a cultura do setor público. A forma de participação e representação dos cidadãos tende a mudar drasticamente.

A Tecnologia da Informação (TI) é hoje a ferramenta capaz de dar mais eficiência aos serviços oferecidos pelo governo. Por um lado, facilita o acesso da população às informações e aos processos em andamento, aumentando a transparência no setor público. De outro, promove serviços mais rápidos e eficientes, com a qualidade que esperamos deles.

Isso faz com que a tecnologia nos leve a uma nova fase de governança digital. Nela, as plataformas de gestão pública tendem a convergir para um mesmo ambiente integrado. Isso permite a automação de processos, o acesso facilitado às informações e uma significativa redução dos gastos públicos.

Os 5 desafios da tecnologia para o governo

Apesar de ser uma tarefa cada vez mais imprescindível, colocar em prática as novas ferramentas do mundo moderno envolve alguns desafios. A seguir, listamos os principais, seguidos de alternativas de como superá-los. 

1. O uso de tecnologias móveis

Grande parte da população brasileira possui smartphones e acessa a internet diariamente por eles. Entretanto, pouquíssimos serviços públicos estão disponíveis, mesmo que para consulta, nesses dispositivos móveis. Esse fato é um indicador importante da demora na adaptação das plataformas públicas criadas em nosso país.

Em todo o mundo, as pessoas estão se adaptando a realizarem suas atividades pela internet, de onde estiverem. Porém, a falta de aplicativos com foco em dispositivos móveis é um grande obstáculo para que o governo se beneficie dessa nova tendência.

Por isso, todo processo de desenvolvimento de aplicativo ou plataforma deve incluir em seu planejamento uma etapa de adaptação ao friendly mobile.

2. Integração de serviços

Como destacamos anteriormente, uma das maiores e mais importantes tendências da transformação digital é a convergência de diferentes serviços para um ambiente unificado. No entanto, é exatamente esse o grande desafio do setor público na atualidade: os diferentes níveis de maturidade tecnológica entre os órgãos.

Se o movimento natural é a unificação dos serviços, isso depende de um alinhamento no complexo setor público, tanto do ponto de vista metodológico, quanto da infraestrutura de TI. Porém, o cenário atual é bem diferente disso — cada órgão tem suas especificidades e utiliza a tecnologia em níveis variados.

Pouco adianta, por exemplo, a gestão do transporte escolar de uma cidade implementar um sistema de aprovação digital de solicitações se as escolas não contam com a mesma tecnologia. Isso expõe ainda uma questão central na discussão sobre a inovação no setor público: ferramentas tecnológicas por si só não garantem melhorias.

É preciso implementar ferramentas e soluções com muito planejamento. Assim como os benefícios, as necessidades de adequação também devem ser levantadas para que, uma vez implementado, o sistema atenda às expectativas.

3. Mão de obra qualificada

A inovação tecnológica, assim como qualquer mudança estrutural, exige a utilização da capacidade humana, tanto para liderar quanto para operacionalizar o processo. Porém, a mão de obra disponível no setor público não é a mais versátil, já que a contratação exige uma burocracia maior e as características técnicas dos profissionais são mais específicas.

Há também a necessidade de lidar com esse fator nas relações transversais entre os diferentes órgãos. Não basta ter profissionais capacitados para lidar com a implementação de uma plataforma digital se os outros envolvidos não possuem recursos humanos para cooperar.

Em muitos casos, as Parcerias Público-Privadas (PPP) podem ser uma alternativa interessante. Com o suporte de empresas especializadas, determinado órgão do governo pode implementar processos inovadores e elaborar um planejamento para contratação de mão de obra especializada em curto e médio prazo.

4. Segurança dos dados

A cibersegurança é um assunto de extrema relevância e que vem sendo discutido em todo o mundo, tanto no setor público quanto no privado. Entretanto, a própria falta de conscientização sobre o assunto representa um desafio para o governo. Afinal, como manter um nível adequado de segurança digital sem que os servidores estejam familiarizados com o tema?

A melhor forma de se manter prevenido é seguindo à risca as políticas de segurança pública. Na prática, isso significa conscientizar funcionários e aplicar medidas para monitorar e controlar o acesso à rede. Em paralelo, uma consultoria de TI também pode auxiliar na configuração de um ambiente digital mais seguro.

5. Falta de uma cultura da inovação

O índice de implementação da tecnologia no setor público brasileiro mostra que ainda não temos uma cultura da inovação bem-desenvolvida. Políticas públicas vêm sendo criadas para dar um empurrão nos órgãos de gestão, mas é preciso agir também internamente para modificar esse cenário. Afinal, há uma característica muito forte nos servidores públicos de apostar na utilização de processos já consolidados como eficientes.

O que nem todo mundo enxerga é que o eficiente de hoje é o obsoleto de amanhã. Inovar significa reavaliar as ferramentas do serviço público constantemente, implementar novas ideias e buscar — por meio da tecnologia — formas de atuar que correspondam às expectativas da população.

A mudança inclui a infraestrutura de TI e a própria dinâmica do setor público, como mostraremos a seguir.

Como gerar inovação nos processos de governo

As medidas adotadas nas últimas décadas para aumentar o número de pesquisadores no Brasil já mostram resultados interessantes. Mesmo que em ritmo lento, o desenvolvimento de novas tecnologias vem reforçando o movimento de inovação tecnológica. Os impactos tendem a ser sentidos em todos os setores, mas é na gestão pública que devemos ter ainda mais atenção.

Soluções inovadoras, que atendam às principais demandas da população, devem ser globais, viáveis e escaláveis. Ou seja, é preciso focar na adoção da tecnologia visando atender toda a população, com possibilidade de implementação simplificada e perspectiva de continuidade.

Não basta adotar um sistema que melhore temporariamente um serviço, mas que não seja integrado a outras plataformas do governo. O processo deve visar a máxima integração dos sistemas, mesmo que de forma gradual. Para isso, algumas ações práticas devem ser tomadas.

O investimento em capacitação técnica é uma delas. Sem profissionais capacitados, pouca inovação pode ser alcançada. As relações entre órgãos públicos e as universidades também devem ser fortalecidas. A produção de conhecimento no Brasil é forte e significativa, mas precisa ser canalizada para os serviços públicos.

Ainda assim, o grande destaque fica por conta da adoção de tecnologias já em fase de consolidação — como a Cloud Computing. A nuvem proporciona uma redução de custos muito interessante — principalmente devido à utilização de uma infraestrutura de TI terceirizada —, além de otimizar a utilização dos recursos de TI do setor público.

Indo além, a cloud computing facilita o acesso às plataformas pelos dispositivos móveis. O mais importante é que essa e outras soluções sejam inseridas no planejamento, para que as demandas do setor sejam levantadas e a tecnologia apareça como uma forma de atendê-las.

A inovação é a chave para superar os desafios da tecnologia para o governo. Repense as estratégias que você adota e veja de que forma a transformação digital pode ser uma fase de transição para a governança do futuro!

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